Casos Curiosos

Casos curiosos marcam 60 anos do Tribunal


A história do TJDFT vai muito além das decisões, sentenças e despachos proferidos diariamente por magistrados. Os causos, assim como os processos, também ajudam a mostrar como foram as seis décadas da Casa. Alguns dos fatos foram relembrados por magistrados e servidos no Programa História Oral, feito pelo Memorial TJDFT - Espaço Desembargadora Lila Pimenta Duarte. Uma parte deles você relembra agora nas comemorações dos 60 anos do Tribunal.

Esplanada dos Ministérios, a primeira casa

Quem vê os mais de 20 fóruns espalhados pelo Distrito Federal nem imagina que a primeira sede do TJDFT foi no quinto e sexto andares do bloco seis da Esplanada dos Ministérios. Foi nesse endereço que o Tribunal funcionou por nove anos. Brasília era uma cidade sem foro.

No quinto andar, funcionavam todas as unidades da Secretaria, os gabinetes da Presidência, da Vice-Presidência e Corregedoria, além da Sala de Sessões. Naquela época, a Casa possuía apenas duas únicas Turmas. Havia também a Sala das Becas que era destinada aos membros do Tribunal que não possuíam gabinete individual. O sexto andar abrigava ainda a biblioteca e o Salão Nobre e abrigava o precioso acervo de arte do TJDFT.

 

 

Bug do milênio

A chegada do ano 2000 foi rodeada de expectativa. Uma delas era quanto ao bug do milênio, termo usado para se referir ao problema previsto para acontecer nos sistemas informatizados na virada de 1999 para 2000. No TJDFT, o momento foi considerado tenso.

Há mais de 20 anos, como o byte era muito caro, as datas eram construídas com seis dígitos: o dia, o mês e os dois números finais do ano. Se acrescentassem mais dois caracteres, o sistema ficaria mais caro. Além disso, para a angústia de muitos, vários programas foram feitos em COBOL24 e calculavam-se várias datas. Assim, havia o receio de que, no dia 1º de janeiro de 2000, ocorresse uma grande pane nos sistemas.

Para evitar que algum problema de fato viesse a acontecer, a aérea de tecnologia do Tribunal foi acionada para identificar datas e se preparar para eventuais problemas. Para surpresa e alívio de todos, janeiro chegou e todos os programas usados pelo tribunal funcionaram normalmente.

“Foi uma operação em que realmente estavam todos imaginando que pudesse dar algum tipo de problema. E, de fato, acabou sendo um momento bem interessante”, comentou o Secretário-Geral do TJDFT, Celso de Oliveira, em entrevista ao programa “História Oral”.

 

 

Processo a ser salvo

A mudança da Secretaria do Conselho Especial e da Magistratura também reservou alguns fatos curiosos. Em 2000, houve um princípio de incêndio no prédio. Quando a equipe do SCEM percebeu que havia algo estranho ocorrendo, precisou sair às pressas... Antes, no entanto, era preciso salvar um processo volumoso.

Monica Hauschild, então secretária do SCEM, relembra o momento. Ela conta que, na hora, um dos servidores gritou que havia um processo volumoso – uma ação penal polêmica - que não poderia ser consumida pelo fogo. Para salvar o processo, a equipe o amarrou no carrinho e correu para fora do Palácio, onde estavam os outros servidores.

No fim, todos ficaram a salvo. Servidores e processo.

 

Sapato do Desembargador Joffily

Uma das histórias curiosas que fazem parte da memória do TJDFT tem como protagonista o desembargador Geraldo Irinêo Joffily ou, para ser mais específica, os seus sapatos. O magistrado se aposentou em 1984.

O episódio ocorreu quando, ao chegar ao Tribunal, o desembargador presenciou um desentendimento entre um jurisdicionado e um agente que impedia a entrada do cidadão. O motivo? O jurisdicionado estava descalço. Ao saber o motivo da discussão, o então desembargador tirou os sapatos e os ofereceu ao homem que tentava ter acesso ao Tribunal.

"Aí, o desembargador Joffly tirou os próprios sapatos e... E foi descalço para o gabinete. Ele era homem desses rompantes mesmo, era uma pessoa muito original", relembrou a então desembargadora Maria Thereza de Andrade Braga Haynes ao entrevistar, em 2009, os servidores aposentados Roberto Macedo de Siqueira, Francisco de Assis Santos Carvalho e Terezinha Nepomuceno Lemes dos Santos para o projeto História Oral.

 

 

Correição à Mazagão

Algumas das histórias curiosas ocorreram bem longe de Brasília. Uma delas foi em uma viagem à Mazagão, município que faz parte do estado do Amapá, à época ainda um Território. A viagem para realizar a correição incluiu uma onça pelo meio do caminho e a travessia de barco no meio da Floresta Amazônica.

Em entrevista ao História Oral, o servidor aposentado Walter Sother de Alencar e a desembargadora Maria Thereza de Andrade Braga Haynes relembram como foi a viagem. Walter conta que, a caminho da cidade, o motorista do carro avisou que a correnteza do rio mudaria de direção, mas ninguém acreditou. “Aí atravessamos lá e, quando nós voltamos, não pudemos mais atravessar, porque é a maré que vai represando os rios, aí ela empurra tudo lá para dentro, então o rio corre ao contrário”, rememora o aposentado.

Com a mudança do curso da água, foi preciso deixar o carro em que estavam, atravessar o rio de barco e, depois disso, pegar carona em um caminhão. Para eles, definitivamente, a volta não foi das mais fáceis!

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